

As 78 amostras utilizadas na pesquisa foram obtidas em áreas de preservação permanente e zonas de reflorestamento, o que garantiu que a própolis estivesse livre de agentes poluidores, de pesticidas, fertilizantes e metais pesados, conforme avaliação de certificadoras nacionais e internacionais.

Em laboratório, as amostras foram agrupadas em sete perfis químicos, segundo o engenheiro agrônomo Severino Matias Alencar, professor associado da Esalq e orientador de Ana Paula Tiveron, que coordenou a pesquisa.
O pesquisador informa que todas as variantes apresentaram “alto poder sequestrante contra espécies reativas de oxigênio” — substâncias químicas que, quando presentes em excesso no organismo, causam diversos problemas às células humanas, resultando no desenvolvimento de várias doenças como as neurodegenerativas, cânceres, anemia, isquemia, além de oxidação da LDL (o mau colesterol).
O estudo científico demonstrou também a eficácia da própolis como anti-inflamatória e antibacteriana
O composto apresentou ação contra diversos tipos de micro-organismos: o Streptococcus mutans e S. sobrinus — agentes associados ao desenvolvimento da cárie; o Streptococcus oralis — que induz ao surgimento da placa bacteriana e à endocardite (doença infecciosa do coração); o S. aureus — que pode causar acne, furúnculos, celulite e doenças graves como meningite e pneumonias; e o Pseudomonas aeruginosa — patogênico oportunista associado às infecções hospitalares.

Novidades farmacológicas na propólis orgânica
De acordo com Alencar, diferentemente da própolis europeia, rica em flavonoides, a própolis brasileira é caracterizada pela presença de derivados de ácido cinâmico prenilado, que possui atividade sequestrante de radicais livres e significativa ação anti-inflamatória e antimicrobiana.
A novidade deste trabalho foi encontrar propriedades farmacológicas importantes na própolis orgânica brasileira, que não só se destaca pela suavidade mas também por seu alto valor econômico.
Exportação brasileira e patentes
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de própolis, exportando anualmente cerca de 160 toneladas, perdendo apenas para a China. O consumo de produtos orgânicos, além de fazer bem à saúde, incentiva produtores rurais a manterem boas práticas agrícolas para preservação ambiental, utilizando de forma responsável o solo, a água, o ar e demais recursos naturais.
“O estudo também traz outros benefícios, como a garantia de patentes brasileiras com a geração de conhecimento em instituições nacionais”, lembra o engenheiro agrônomo.
Há uma estimativa de que 44% das patentes mundiais com própolis tenham sido depositadas pelos japoneses, que importam cerca de 80% da própolis brasileira para consumo interno.
Embora o Brasil seja um dos maiores produtores, possui um reduzido número de patentes concedidas em relação aos trabalhos publicados. A pesquisa feita na Esalq foi desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), MG.
Em novembro de 2016, o assunto Os benefícios farmacológicos da própolis orgânica produzida no sul do Brasil foi tema de um artigo publicado em revista científica internacional, a Plos One, da Public Library of Science, EUA.
A autoria do texto é de Ana Paula Tiveron, Severino Matias de Alencar e outros pesquisadores: Plos One
Fonte e mais informações: Jornal da USP e e-mail smalencar@usp.br